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Presidente da Fenaj, Celso Schröder, tem artigo publicado em ZH

O artigo “O que a ‘imprensa’ precisa fazer para ser amada” do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc), Celso Augusto Schröder, foi publicado na edição de sábado, 04 de janeiro, do jornal Zero Hora.

“Foram os movimentos de junho que concretizaram essas críticas, muitas vezes exagerando no tom. Jogar excrementos nas portas das grandes redes nacionais esteve para lá do simbólico.”



O que a "imprensa" precisa fazer para ser amada


CELSO AUGUSTO SCHRÖDER*


Primeiro um alerta necessário, desconfiem daqueles que, para atacar ou defender, constroem um muro atrás do qual colocam jornalistas, empresários de comunicação, agências de publicidade e blogs, entre outros, como se tudo isso fosse algo único: “mídia”, ou mais simplesmente “imprensa”.

Digo isso para tentar dialogar com o profícuo artigo de Eugênio Bucci, publicado no Estado de S. Paulo em 26 de dezembro e, surpreendentemente, republicado nas edições conjuntas de 31/01 de janeiro em ZH.

A tese do Eugênio Bucci é simples, embora o artigo seja longo: o PT está armando uma conspiração contra a “imprensa” nacional. Por quê? Porque não tem o que fazer. Perdeu sua estratégia, está sem rumo e, pior, demonstra um viés autoritário.

O.K., Bucci tem todo o direito de achar o que quiser do PT _ que aliás o convidou, e ele aceitou, para presidir a EBC na sua fase inicial _, inclusive de ser autoritário. O que me parece problemático são os argumentos construídos que misturam alhos com bugalhos, jornalistas com empresários, verdades com meias verdades e o pior, deixa de fora o essencial. Além disso, o artigo ignora que a maior crítica neste ano que passou não veio do PT. Foram os movimentos de junho que concretizaram essas críticas, muitas vezes exagerando no tom. Jogar excrementos nas portas das grandes redes nacionais esteve para lá do simbólico.

Mas Bucci tem razão em muitas coisas, o papel histórico da imprensa, agora sem aspas, é efetivamente de fiscalizar o poder (foi assim que ela ajudou a construir a esfera pública democrática), mas esqueceu de dizer que o foco da atenção dessa imprensa deve ser todos os poderes. O econômico por exemplo, ou o judiciário, ou ainda o executivo de todos os tempos e de todos os níveis. Não parece razoável uma “imprensa”, agora aspada, que escolha poderes para fiscalizar. Não me lembro de algum artigo, nem mesmo do Bucci, que cobrasse empenho de fiscalização de governos anteriores aos petistas, ou um olhar mais arguto sobre governos estaduais ou municipais sob a batuta da chamada oposição.

Por falar nisto, foi a ex-presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) Maria Judith Brito quem diligentemente reivindicou para as empresas jornalísticas o papel de oposição política, portanto partidária.

Eugênio Bucci tem um raciocínio sofisticado. Afirma que a imprensa brasileira não é golpista como a venezuelana, embora seja “preponderantemente de direita e, muitas vezes, apresenta falhas de caráter, alguns inomináveis”. De maneira que ela por não ser golpista, embora com todos esses defeitos, não pode ser criticada.

Na verdade o argumento tem um outro objetivo além de atacar o PT ou mesmo defender a “imprensa” da crítica petista. O objetivo, não explicitado, é uma espécie de vacina de início de ano, contra a necessária regulamentação que o país precisa imprimir ao seu sistema de comunicação. Faz parte do arsenal inesgotável de ações que garantam que essas empresas, diferentemente de todos os outros setores da vida brasileira, estejam acima e à margem da lei.

A imprensa, sem aspas, para ser amada, deve simplesmente cumprir o seu papel social. Abdicar, verdadeiramente, de defender a si mesma ou partes da sociedade. Garantir com que o jornalismo produzido nessas empresas seja efetivamente feito por jornalistas com autonomia, comprometidos com o interesse público, livres das pressões salariais e de condições de trabalho humilhantes. Deve filtrar os interesses oriundos de seus anunciantes e não sucumbir às fórmulas fáceis e simplórias para gerir o seu negócio que inviabilizem o jornalismo bem feito. Nem abrir mão da produção cultural qualificada e diversificada. Para ser amada, basta a “imprensa” ser imprensa.
 

*Professor da Famecos/PUCRS, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas e da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe, vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, membro do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional


Fonte: Imprensa/SINDJORS

Publicada em 06/01/2014 00:00


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